Obesidade Mórbida
Epidemia que afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo.
A Obesidade atualmente é considerada um problema de saúde pública devido à alta incidência de complicações sistêmicos, bem como na queda da qualidade de vida. Estima-se que a taxa de pacientes obesos presentes nas UTI (Unidades de Tratamento Intensivo) é de 9% a 26% do total. O Brasil já ocupa o quinto lugar no ranking mundial de pessoas que sofrem de obesidade mórbida. Segundo números, mais de 14 milhões de crianças sofrem com o excesso de peso, dos quais 3 milhões ultrapassaram a linha da obesidade. O aumento do sobrepeso e da obesidade nas últimas décadas pode ser explicado por 3 situações:
- o primeiro é em relação a grande parte da população consumir mais calorias do que as gerações passadas, sem mudança no gasto diário habitual de energia;
- o segundo fato pode ser encontrado na diminuição do gasto energético diário, sem alteração da ingestão calórica;
- e por fim, a terceira circunstância propõe que a ingestão calórica per capita tem realmente declinado quando comparada com gerações anteriores, mas que o gasto energético tem dimi´nuído em proporção ainda maior.
A Obesidade é caracterizada por um estado inflamatório crônico, que diminui a capacidade cardiopulmonar, devido a grande quantidade de tecido adiposo na caixa torácica, tornando-a mais comprimida, menos complacente, alterando a mecânica respiratória. São considerados obesos indivíduos com IMC (Índice de Massa Corpórea - Peso/m2) entre 30 e 40 Kg/m2 e aqueles cujo IMC é maior que 40 Kg/m2 são considerados obesos mórbidos.
A Obesidade é fator de risco para a síndrome coronariana aguda, diabetes melito e hipertensão arterial. É também fator importante de risco para o infarto agudo do miocárdio. O sobrepeso promove aumento fadiga muscular ao indivíduo obeso, fazendo com que o mesmo se canse mais rapidamente que uma pessoa considerada normal em relação ao peso. O aumento do IMC exige um aumento no trabalho vascular e muscular, bem como na frequencia respiratória e metabólica, resultando em redução significativa das reservas fisiológicas.
Aquelas pessoas que são classificadas como sendo obesas mórbidas (IMC maior que 40 Kg/m2) vem buscando a cirurgia bariátrica como forma de ajuda, com relação à perda de peso. Vale a pena lembrar que o procedimento cirúrgico é o último recurso a ser utilizado na melhora da qualidade de vida do indivíduo, dando sempre preferência a mudança dos hábitos de vida e alimentares, bem como a realização frequente de atividade física.
Para aquelas pessoas que serão submetidas a este procedimento cirúrgico (redução do tamanho do estômago) é de fundamenatal importância a interação entre os diversos profissionais, entre eles: médico endocrinologista, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, anestesiologista e enfermagem. O papel da Fisioterapia no tratamento cirúrgico da obesidade mórbida é imprescindível e tem como principal objetivo preparar o paciente para o ato cirúrgico, previnindo complicações pulmonares e vasculares, restaurando a capacidade respiratória, melhorando as trocas gasosas, a mecânica ventilatória e a oxigenação pulmonar. Pode também orientar o pós operatório, incentivando a realização de atividade física prazerosa e necessária para a manutenção da qualidade de vida, desde que este exercício físico seja sempre supervisionado por um profissional qualificado da área de Educação Física.
Um grande abraço, até a próxima.
João Paulo de Andrade Alarcão.
Educador Físico e Fisioterapeuta.
E-mail: jpalarcao@yahoo.com.br
Escrito por João Paulo de Andrade Alarcão em 04/07/2008 - 23:41:28