Nutrição
DHEA
O milagroso rejuvenecedor e seus reais efeitos musculares!

A DHEA, a androstenediona (4-androstenediona) e os seus compostos relacionados (5-androstenediona, 4-androstenediol, 5-androstenediol) são os precursores da testosterona mais popularmente utilizados por atletas. O papel fisiológico do DHEA não está esclarecido. Entretanto, a DHEA e a androstenediona parecem exercer atividade androgênica fraca, sendo esta atribuída à sua transformação metabólica em testosterona e DHT.A DHT é o principal metabólito ativo da testosterona e possui afinidade maior pelo receptor androgênico do que esta molécula.

Ele transforma-se mais rapidamente no complexo hormônio-receptor e dissocia-se mais lentamente do receptor do que a testosteronaSeu uso clínico está indicado em tratamentos específicos das deficiências androgênicas: hipogonadismo, puberdade e crescimentos retardados, micropênis neonatal, deficiência androgênica parcial em homens idosos, deficiências androgênicas secundárias a doenças crônicas, e na contracepção hormonal masculina.Temos relatos de que a administração por via transdérmica em baixas doses no tratamento de doenças cardiovasculares tem efeitos antiaterogênicos e antianginosos.

Corrigan et al. (1999), em seu estudo sobre o uso de DHEA em atletas australianos, verificou que estes utilizavam DHEA como agente anabólico para elevar os níveis de testosterona e androstenediol (LEDER et al., 2000). Entretanto, sua eficácia como agente anabólico e produtor de energia permanece sem comprovação (KENNEDY, 2000).

Todavia, King et al., em 1999, demonstraram que a suplementação de androstenediona não elevou as concentrações plasmáticas de testosterona nem promoveu adaptações do músculo esquelético no treinamento de resistência. Grande parte da reputação do DHEA como um hormônio maravilhoso veio de experiências nas quais camundongos ou ratos foram alimentados com doses diárias.

Tais estudos tem mostrado que o DHEA pode prevenir ou retardar o início de câncer, "endurecimento" das artérias, infecções virais letais, diminuição da imunidade, obesidade e diabetes. Mas o que funciona em roedores não funciona necessariamente em humanos. O que pode ser especialmente verdadeiro neste caso, porque os ratos e camundongos produzem somente cerca de 1/10.000 do DHEA que nós produzimos. 

Um estudo inicial com humanos que apontou possíveis benefícios do DHEA veio da equipe da dra. Barrett-Connor. Eles mediram os níveis de DHEA em amostras de sangue tiradas de quase 2000 pessoas entre homens e mulheres durante os anos de 1972 e1974 e observaram quantas morreram de doenças cardíacas. Em 1986, eles relataram que os homens com níveis altos de DHEA tiveram uma probabilidade muito menor de morrer por doenças cardíacas, ao passo que as mulheres com níveis altos de DHEA tiveram um risco maior.

Uma análise mais detalhada publicada no final do ano passado, todavia, mostrou que os homens com níveis de DHEA acima da média no início dos anos 70 tiveram uma probabilidade menor de morrer por doenças cardíacas de apenas 15%, ao passo que não houve nenhuma associação entre os níveis de DHEA e doenças cardíacas entre as mulheres. O trabalho com humanos de maior duração e talvez o que foi conduzido mais cuidadosamente vem do dr. Yen e seus associados.

Em seu estudo mais recente, publicado no ano passado em uma edição especial dos Anais da New York Academy of Sciences devotada ao DHEA e ao envelhecimento, oito homens e oito mulheres entre 50 e 65 anos tomaram ou 100 miligramas de DHEA ou um comprimido placebo idêntico todas as noites por três meses. Durante os três meses após isto, eles tomaram o comprimido oposto. No período de duas semanas do início do DHEA, os níveis circulantes do hormônio foram um pouco maior que os encontrados normalmente em adultos jovens. A massa corporal magra aumentou ligeiramente em ambos os sexos, assim como a força muscular, a qual também aumentou com o placebo. A massa corporal adiposa diminuiu em homens mas aumentou um pouco em mulheres. Também houve uma elevação em alguns marcadores químicos o que sugeriu uma melhora na função imunológica, apesar de que o número de resfriados e de outras doenças não foi avaliado. Um estudo anterior da equipe do dr. Yen mostrou que três meses de doses diárias de 50 mg de DHEA significativamente melhorou a sensação de "bem-estar," não aumentou o desejo sexual, como os anúncios do DHEA freqüentemente alegam. 

Outro estudo no qual voluntários usaram o DHEA sugere que este hormônio pode auxiliar no tratamento da doença auto-imune do lupus. Pesquisas que examinam a capacidade do DHEA em fortalecer o sistema imune e preservar a função mental em idosos estão em progresso. Experimentos com dezenas de pessoas por mais de seis meses solidamente constitui uma prova de que um tratamento funciona. "O que nós realmente precisamos nesta altura é de alguns ensaios clínicos por um longo período de tempo para identificar claramente os benefícios e os riscos," disse o dr. Nestler.

Uma razão do por quê estes testes são cruciais é que o DHEA tem efeitos colaterais, alguns dos quais podem ser irreversíveis. Uma vez que o DHEA é convertido em testosterona, em algumas mulheres que o usaram houve o crescimento de pelos pelo corpo ou no rosto e, se elas tiverem menos de 50 anos, pode interromper a menstruação.

O DHEA também tem demonstrado diminuir os níveis do HDL ("colesterol bom") em mulheres, e poderia aumentar o risco de doenças cardíacas, a principal causa de mortes em mulheres mais velhas. "Não temos a menor idéia do que o DHEA pode fazer em relação ao risco de câncer de mama," disse dr. Nestler.Em homens, os níveis aumentados de testosterona observados com os comprimidos diários de DHEA poderia estimular o crescimento de um tumor de próstata diminuto que de outra forma teria permanecido latente. O excesso de testosterona também poderia levar a um aumento da próstata, dificultando a saída da urina. 

"Ninguém deveria tomar DHEA a menos que esteja sob supervisão de um médico, que deve rotineiramente checar os níveis de esteróides e colesterol, tolerância a glicose e a saúde da próstata nos homens," disse John Nestler, MD, professor de endocrinologia e metabolismo na Virginia Commonwealth University, que estuda os efeitos do DHEA sobre o diabetes e a coagulação sangüínea. 

Escrito por Vinicius Dobgenski em 01/08/2009 - 11:14:49
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